Em 1997, foi criado o Grupo ADID de Teatro com o objetivo de desenvolver, sobretudo as dificuldades de fala, de memorização, de mobilidade e outras limitações típicas da síndrome de Down montado inicialmente o espetáculo Dom Quixote, que estreou em 1998. Uma apresentação de resultado retumbante, apesar da encenação muito simples, com 12 atores, 12 páginas de texto e 25 minutos de duração.
Com o passar dos anos foram criados espetáculos variados e ricos em recursos cênicos. O Grupo ADID de Teatro tem conquistado reconhecimento nacional, realizando apresentações em festivais e mostras de teatro inclusivo. Além disso, o grupo também promove oficinas e workshops para capacitar outras pessoas com deficiência e incentivar a inclusão através do teatro. O trabalho do Grupo ADID de Teatro é um exemplo inspirador de superação, talento e inclusão da pessoa com síndrome de Down no mundo das artes.
O Grupo ADID de Teatro conquistou um patamar de qualidade artística possivelmente muito além do que já se viu em outros grupos que trabalham o teatro com pessoas com deficiência no Brasil, como se observa num breve apanhado de todas as peças realizadas pelo grupo:
Aquele que diz sim e Aquele que diz não, de Bertolt Brecht, é uma obra composta por duas peças curtas que apresentam uma mesma situação com desfechos diferentes, convidando à reflexão crítica. A história acompanha um jovem que decide integrar uma expedição junto a um grupo que atravessa montanhas em busca de um objetivo coletivo. Durante o percurso, o jovem adoece e passa a representar um obstáculo para a continuidade da viagem.
Na primeira versão, “Aquele que diz sim”, o grupo segue uma tradição segundo a qual, quando um integrante não pode continuar, deve aceitar ser deixado para trás ou sacrificado em nome do bem coletivo. O jovem, então, concorda com essa decisão, reforçando a ideia de aceitação das normas estabelecidas.
Já na segunda versão, “Aquele que diz não”, a mesma situação é apresentada, porém o jovem questiona essa tradição e se recusa a aceitar o desfecho imposto. Essa recusa provoca uma ruptura com o pensamento automático e convida à revisão das regras, destacando a importância do questionamento e da transformação social.
A obra propõe uma reflexão sobre obediência, responsabilidade coletiva, pensamento crítico e a necessidade de analisar e, quando necessário, modificar tradições e normas sociais.
Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, é uma comédia que se passa na cidade de Atenas e em uma floresta próxima, onde se cruzam histórias de personagens humanos e seres mágicos. A trama acompanha quatro jovens envolvidos em um conflito amoroso: Hérmia ama Lisandro, mas é pressionada por seu pai a se casar com Demétrio, que, por sua vez, é amado por Helena. Ao decidirem fugir para a floresta, os jovens acabam se envolvendo em uma série de acontecimentos marcados por enganos e desencontros.
Paralelamente, na floresta, o rei e a rainha das fadas, Oberon e Titânia, vivem um desentendimento. Oberon utiliza uma poção mágica do amor, aplicada com a ajuda de seu servo Puck, para interferir nos sentimentos dos personagens, o que intensifica ainda mais as confusões amorosas. Ao mesmo tempo, um grupo de trabalhadores ensaia uma peça teatral, contribuindo para o tom cômico da obra, especialmente quando um deles é transformado magicamente, gerando situações inusitadas.
Ao final, os encantamentos são desfeitos, os equívocos são corrigidos e os casais são restabelecidos de forma harmoniosa. A peça se encerra com celebrações e casamentos, reforçando o caráter leve e festivo da narrativa. A obra aborda temas como o amor, a fantasia, os sonhos e os enganos, explorando, de forma bem-humorada, a complexidade das relações humanas.
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